domingo, 17 de agosto de 2014

O baLanço



O AMOR é a força que empurra
O balanço
Numa tarde de sol
Num parque qualquer
Em qualquer cidade
Que você quiser
As mãos e os braços
Que dão impulso
Aos sonhos
E que geram a sensação
De que você esta indo
Cada vez mais alto
Cada vez mais longe
Cada vez mais forte
E mais intenso

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

jaNgADA


As velas queimam
Até o final
Depois apagam
As luzes apagam
O brilho dos olhos apaga
O sorriso apaga
E a jangada vaga
Pelo mar
e a escuridão
Não há um porto
Garoto
Não há destino
Menino
Não há saída
Não existe ganhar
Nessa vida
Não existe perder
Ou sofrer
Não há nada
Apenas
 Uma jangada
Vaga
Lá longe

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Ela esTá certA

Você tem razão
Amor
Amanhã eu vou embora
Não farei as malas
Não levarei meias
Mentiras
Vou sem sapatos
Quero sentir o solo
O sol no rosto
Numa foto
Tem razão
Meu grande amor
Vou passar por aquela porta
Vou pegar aquele trem
Subir naquele avião
Que é só de ida
Você esta certa
Minha linda
Meu amor
Da minha vida
Somos estrelas
Anjos com asas
Arrancadas
Que quando caem
Quebram feito vidro
E estilhaçam feito sonhos
Em que choramos
Pedaços de planos
Espalhados
Pela cama
Pelo piso
Da nossa casa
E da casa
De nossos filhos
Amanhã eu vou embora
Meu amor
Não vou levar o meu casaco
Não quero que pense
Que está frio lá fora
Ou que não é verdade
E que talvez eu não encontre
O caminho de volta
Alguma parte
Importante
Se perca pelo caminho
Ou fique longe demais
Que não alcance
Seu verdadeiro motivo
De estar vivo
Mas,
Antes de ir
Deixei um presente
Escondido
E sinta-se
Livre
Para procura-lo

sábado, 19 de julho de 2014

PedRo ou HomeNageM ao pedrO

Ponto final
No começo,
Igual a você
decidido
Amo nossas
Semelhança
meu amigo,
Não conheço
Nenhuma palavra
Mais forte
Do que essa:
Amigo
A única palavra
Que interessa
e faz sentido
Dói sim e muito
estar vivo
Meu cumpadecido
Mas talvez eu resista
Mais um pouco
Aguente firme
Alguns segundos
Ou décadas
Milênios,
Permaneça de pé,
Até,
Amanhã
Pois amanhã
vai doer menos
como lhe havia
prometido

quinta-feira, 18 de julho de 2013

ELas

Espero por ela
Pacientemente
Mas ela não existe
Ela nunca existiu
Talvez eu morra
Esperando por ela
Ou tentando acha-la
Em todas as outras

sábado, 1 de junho de 2013

MentIRa

Oscilo entre
Vencedor e perdedor
Em um segundo
Vario entre
Todos os dois lados
Opostos
Posso te vencer
Ou me render
Se quiser
Ou se não quiser
Tenho todo esse direito
E o esquerdo
Guardo o mundo todo
Aqui dentro
E lá fora
Ao mesmo tempo
Nada
Genial e ridículo
Dualidade besta
Composição primária:
Não!
Não estamos divididos
Em dois
Como a maioria das canções
E dos versos
Das rimas
Das rixas
Vivos e mortos?
Estamos em tudo
Sem divisão
Alguma
E fronteiras
Sei que vamos
Além disso
Mesmo sem saber de nada!
Filosofia,
Ou como gosto de chama-la:
Ultrapassada
Seu corpo morreu
Foi enterrado
Junto com todos os filósofos
Antigos.
Discordo de todos eles
Porque estavam certos
Ou errados
Maiores ou menores
Isso ou aquilo
Eles se foram,
Frutos de suas épocas
Suas dúvidas
Suas questões
Refletiam apenas
Um determinado instante
Da vida da terra
Assim também se foram
Os poetas
E suas métricas
Rigorosas
Camões diria
Que nada disso
É poesia
Enquanto Pessoa ria
Desacreditados
Nessa minha falta de estrutura
Resultado do momento histórico
Em que concebo
O verso
Apenas manifesto
O interesse do mundo
Em continuar com essa
Mentira
Mortos não riem
E não falam
Não apontam
Nosso caminho
Seus versos só me servem
Para esquivarmos
Contraria-los
Concorde com eles
E pronto
Você já pode ser pisoteado
Pela máquina da história
Você já pode ser rodeado
Pelo muro alto
De seus antepassados

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

testamEntO

Se agora fosse a hora
Do meu testamento
Deixaria essas frases
Como legado
Deixaria um belo título
Para enfeitar
A breve passagem
A noite fria
E insônia
Desses seres
Inquietos
deixaria uma frase em aberto
Um espaço em branco
E incompleto
Nessa lacuna
Iria embora
Sentindo que ainda
Faltam partes
Mas com uma forma
Um encaixe
Para as novas descobertas
Somos póstumos
Somos fósforos
Somos surdos
E não iremos ver nada
Enquanto estivermos vivos
Apenas o medo
De ir embora
Aos 27
Ou talvez
O enfrentamento
Vem a morte
E um suspiro
No ouvido
Sua hora esta chegando
Ela diz
Eu arrepio
Pois sou apenas
Forte o suficiente
Para beija-la na boca
Para deita-la na cama
E depois partir
Junto com ela
E aos que ficam
Meu sincero testamento