Hoje me contento, olho para você nas raras oportunidades que tenho, e enxergo, me ilumino, na verdade: sou muito menos do que isso, assumo mesmo, perdi, não posso com você, sou um controlado, fui algemado a esse sentimento, e depois esmurrado pelo que vejo, pelo que sinto, pelo que fiz, pelo que deixei de fazer, pelo cheiro do teu corpo que toda vez entra como um soco pelo meu nariz e vai até uma região específica do meu cérebro, até implodir minha cabeça pelo lado de dentro, deixando enormes intervalos de espaços vazios, um vácuo onde tentei plantar coisas banais como a música, o trabalho, a filosofia, deus, uma câmera de vídeo... mas tudo isso é inútil, tudo fica sempre em segundo plano, depois vem o fundo infinito. Não posso te tocar se lembra, como uma nota, uma escala, não posso sequer manifestar, nada, e é isso, ou estrago tudo, é sempre melhor nada, nada e resistência, mas... se lembra como eu corria? Lembra? Era veloz como o vento quando se tratava de ir ao seu encontro, te fazer rir, cuidar, te encher de prazer, linda linda, na minha boca seus fluídos extremamente necessários para que eu continuasse vivo, sinto esse gosto ainda... o que foi que aconteceu hein? Não consigo me lembrar direito, acho que prenderam com correntes e cadeados as pernas de um certo leão que vive aqui dentro, enquanto ele dormia e sonhava contigo, era um sono bem pesado, talvez eterno agora.
domingo, 28 de dezembro de 2008
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