sexta-feira, 30 de novembro de 2012

testamEntO

Se agora fosse a hora
Do meu testamento
Deixaria essas frases
Como legado
Deixaria um belo título
Para enfeitar
A breve passagem
A noite fria
E insônia
Desses seres
Inquietos
deixaria uma frase em aberto
Um espaço em branco
E incompleto
Nessa lacuna
Iria embora
Sentindo que ainda
Faltam partes
Mas com uma forma
Um encaixe
Para as novas descobertas
Somos póstumos
Somos fósforos
Somos surdos
E não iremos ver nada
Enquanto estivermos vivos
Apenas o medo
De ir embora
Aos 27
Ou talvez
O enfrentamento
Vem a morte
E um suspiro
No ouvido
Sua hora esta chegando
Ela diz
Eu arrepio
Pois sou apenas
Forte o suficiente
Para beija-la na boca
Para deita-la na cama
E depois partir
Junto com ela
E aos que ficam
Meu sincero testamento

ponTe

quero te agradecer
mulher
por me ensinar a desistir
a aceitar a perda
e seguir em frente
estranho jeito
que a vida tem
de mostrar o caminho
pelo avesso
e em um verso
dizer tudo ao contrário
do que nosso espírito
queria
aprendi a não querer
e não correr
dos fatos
dos ensinamentos
é muito dificil
tudo isso
mesmo
mas assim se faz
o homem
assim se abre mão
da criança
levanta-se a cabeça
para um milhão de nãos
como uma ponte
onde faltam partes
sempre os passos
foco e visão
para o outro lado
não quero choro
nem lamentos
quero o outro lado
quero força
quero a humildade
de aceitar
nunca mais te-la
e que isso me dê força
que eu lembre disso
na hora do impulso
não ao surto
não a falha
sim ao outro lado
onde estarei mais forte
pois aceito
e isso já me serve
já me guia
fortalece minhas pernas
e realiza o pulo
pois faltam partes
nessa ponte
e eu tenho tudo
que me deu
A travessia
humilde eu
que não faço diferença
e que nunca será
porra nenhuma
dito isso
atravesso
e firmo forte
do outro lado
quero agradece-la
e depois
simplesmente
deixar tudo isso
para trás