domingo, 28 de dezembro de 2008

FluíDos


Hoje me contento, olho para você nas raras oportunidades que tenho, e enxergo, me ilumino, na verdade: sou muito menos do que isso, assumo mesmo, perdi, não posso com você, sou um controlado, fui algemado a esse sentimento, e depois esmurrado pelo que vejo, pelo que sinto, pelo que fiz, pelo que deixei de fazer, pelo cheiro do teu corpo que toda vez entra como um soco pelo meu nariz e vai até uma região específica do meu cérebro, até implodir minha cabeça pelo lado de dentro, deixando enormes intervalos de espaços vazios, um vácuo onde tentei plantar coisas banais como a música, o trabalho, a filosofia, deus, uma câmera de vídeo... mas tudo isso é inútil, tudo fica sempre em segundo plano, depois vem o fundo infinito. Não posso te tocar se lembra, como uma nota, uma escala, não posso sequer manifestar, nada, e é isso, ou estrago tudo, é sempre melhor nada, nada e resistência, mas... se lembra como eu corria? Lembra? Era veloz como o vento quando se tratava de ir ao seu encontro, te fazer rir, cuidar, te encher de prazer, linda linda, na minha boca seus fluídos extremamente necessários para que eu continuasse vivo, sinto esse gosto ainda... o que foi que aconteceu hein? Não consigo me lembrar direito, acho que prenderam com correntes e cadeados as pernas de um certo leão que vive aqui dentro, enquanto ele dormia e sonhava contigo, era um sono bem pesado, talvez eterno agora.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

uMa riMa



sinto saudade do que está lá
e eu estou aqui, com saudade
mas não posso ir embora agora
largar tudo assim, pela metade
tenho esse caminho
que me faz ir longe desse jeito
tenho um punhado de rimas
de cismas, tenho vontade
tenho você menina
no meu pensamento
você está lá
mas vive aqui
e a última frase
não rima
nós sim

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

HumaNos


Não sei, de verdade
não faço idéia, mesmo
gostaria muito de ter a resposta
aqui ao meu alcance
mas não alcanço
sou humano
e nós humanos
não fomos feitos para desvendarmos
os sonhos que criamos
apenas criamos
depois ficamos anos nos perguntando
sobre o motivo
de tudo isso
até fazer um sentido
imaginário
ou até acordarmos
viajantes que somos
vivemos imersos
nesse caldo
hipnótico

domingo, 7 de dezembro de 2008

AZul

O azul está em tudo
Em tudo que é meu
Em tudo que é
Mas não é meu
Em tudo que não é
Tão precioso gosto
De céu
Assim
Andei pensando
sabe,
Acho que sou capaz
De tudo isso
Não por ousadia
Nem burrice
Talvez coragem
Quem sabe sorte
Um santo forte
Quem sabe

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

ViNho

Seus olhos viravam para o lado de dentro da cabeça
Enquanto tremiam, em transe
Pálido sangue vermelho de todos os batimentos
Ritmo que alterava profundamente aquele ser
Enquanto sua boca espumava
Seus olhos viravam
A terra pulsava
Com o ouvido colado no abismo do mundo
Ouvia
Ai então tudo pulsava
Pulsava o homem
Pulsava a terra toda
E tudo a sua volta
Transbordava em espuma
Agora sim, tudo faz sentido